segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Caminhando e cantando... Parte 2

No post anterior falamos brevemente de como os protestos em todo país surgiram e em como eles, aos poucos, foram enfraquecendo, embora em muitos municípios eles ainda tenham força marcante, mesmo sem a atenção da imprensa que os transforma em nota de roda-pé em seus noticiários.

Mas para além da questão da significância destes movimentos, temos os problemas que eles podem vir a causar e causam nos locais onde ocorrem. 
Ontem tive uma conversa muito interessante com um amigo próximo acerca dos acontecimentos envoltos nestes movimentos. E inevitavelmente chegamos ao ponto de conversar sobre os atos de vandalismo desempenhados por uma parcela dos manifestantes e percebemos que temos perspectivas diferentes em relação a estes atos. Ele acredita que a luta deve ser levada aos extremos da depredação, se for para chamar a atenção das autoridades, acredita que caminhadas pacíficas são ineficazes com as lideranças políticas deste país. Eu, por outro lado, concordo em parte, concordo que deve-se ir a patamares nunca antes alcançados, mas que se houver alguma depredação, que seja aos prédios símbolos da tirania e opressão deste país, os locais onde por muitos anos foram tomadas decisões errôneas sobre o destino de nossa nação, câmaras, palácios do governo etc. Eu, como licenciado em história posso estar sendo radical em dizer abertamente que estes lugares podem e devem ser destruídos, mas não poderemos criar algo novo se os velhos alicerces da corrupção estiverem no lugar. 
Porém, o que eu quero apontar como problema inicial dos protestos, é justamente o vandalismo desenfreado, onde comerciantes têm seus estabelecimentos avariados, locais públicos sem significado algum para a causa destes manifestantes também acabam sendo destruídos. Ou algum dos leitores deste post acha que destruir uma parada de ônibus vai mudar o futuro da nação? Esse tipo de ação diminui o valor das ideias primordiais das reivindicações, como podemos pedir melhorias para a população de modo geral se acabamos nos inserindo nos criadores de problemas para o próprio povo?! A falta de foco de algumas manifestações também gera um problema, mas desta vez é algo interno. Muitas causas devem se defendidas, mas no momento em que chegamos às lideranças políticas para o diálogo, quando podemos ser ouvidos, os arautos do povo são tão fragmentados ideologicamente que pouco se consegue em termos de melhorias. E como se já não bastasse a fragmentação interna e os vândalos criando um caos desnecessário, temos a questão que envolve os aproveitadores que criam oportunidade em tudo que ocorre neste país, uma parcela das elites a reclamar e pegar carona na onda dos protestos para conquistarem melhorias para uma elite minoritária e uma gama de grupos que usa das manifestações de forma errada. 
Refiro-me, no parágrafo acima, aos médicos espalhados por todo o país reivindicando a dificuldade do acesso dos médicos estrangeiros a um emprego na rede pública de saúde em locais que nossos compatriotas não estão dispostos a ir. Tudo bem, não querem candidatar-se as vagas nos municípios mais inóspitos, acham que não estão sendo bem remunerados, os médicos estrangeiros tem que passar por toda a burocracia existentes para trabalhar nos locais que os médicos nativos não querem ir. Mas e as doenças nestas localidades vão cessar enquanto se resolvem estas questões? Por um acaso, o mosquito da dengue vai para de pica-los ou as vermes e outras enfermidades irão "dar um tempo" da população destas localidades não assistidas de médicos? Eu tenho a impressão de que as possíveis enfermidades não vão dar esse "time". Percebemos que as manifestações podem, também, serem utilizadas pelas elites como instrumento de edificação de suas práticas hegemônicas, o diferencial é que, esse segmento da sociedade é muito bem organizado e articulado, facilitando sua visibilidade, além de se tratar de uma camada bem quista pelas elites políticas do nosso país e de também representarem a profissão fundamental para a saúde pública no país. 
Além dos médicos, temos os taxistas da minha cidade (João Pessoa, PB), que reivindicam uma fiscalização maior em cima dos transportes alternativos na capital paraibana. Neste caso devo dizer que desconheço a existência de algum cidadão que receba um salário mínimo por mês (e olha que são muitos) e que sacrificaria R$ 20, 00 para ir ao bairro vizinho podendo pagar R$ 2,20 numa passagem de ônibus ou num transporte alternativo. A questão que percebemos aqui é algo muito maior que o preço da passagem e a existência dos transportes clandestinos, o ponto a ser questionado (e não o é) é a eficácia do transporte público da cidade, o número de habitantes cresce, os bairro estão em constante expansão, mas ainda assim percebemos que a espera em paradas de ônibus aumenta, a quantidade de veículos é insuficiente para transportar os habitante com algum conforto relativo e a ausência de melhorias neste setor gerou o surgimento de transportes clandestinos que se beneficiam da incompetência das empresas de transporte juntamente com a de nossas lideranças políticas, eles são um efeito colateral. Mas os taxistas estão apenas sendo humanos, e como tal, sendo egoístas ao ponto de não perceberem que eles são apenas os peões de um jogo político e empresarial que abarca muito mais do que eles. 
Por fim (não quero tornar a leitura um fardo), acredito que a maioria das manifestações são válidas, que é o primeiro suspiro de um gigante que ainda está a se erguer. Acredito que os símbolos da tirania devem ser destruídos, que uma nova era para este país ainda ha de surgir, mas a mudança é lenta e ainda está por vir a maior revolução de todas: a revolução nas mentes dos habitantes de todo o país. E que um dia percebam que não devemos nada a estes políticos elitistas que nos governam, eles nos devem e podemos cobrar a qualquer momento.                                





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