Acordamos todos os dias e nos deparamos
com um mundo de possibilidades. Acumulamos conhecimento, experiências que nos
transformam e no fim, nos tornamos algo diferente, nem melhor ou pior, apenas
algo diferente do éramos a um segundo atrás.
Mas também vivemos em mundo, ou melhor, em uma sociedade que cria
modelos a serem seguidos. Uma sociedade que vive de denominações, onde o título
também é nossa marca. Não possuímos um nome, possuímos um título, que também é
lugar, o título nos diz onde podemos ir, onde "devemos" ir e o que
podemos falar e com quem falar. Nossas palavras ganham agora, status, a
depender de quem sou e que posição ocupo na sociedade, meu discurso tem mais ou
menos peso, ou relevância. Sou um jovem rapaz, com apenas vinte e quatro anos,
minhas palavras têm o peso de um recém-nascido, tudo o que digo soa imprudente
ou como produto de minhas emoções que estão sempre aflorando, sou inconsequência,
sou o não-pensar, sou a inconstância da juventude, a metamorfose ambulante que
não para a não ser que o vento pare de soprar, mas que como a calmaria antes da
tempestade, logo retorna a espiral louca e infinita que reúne o turbilhão de
pensamentos e emoções que é característico dos jovens.
Isto foi apenas uma forma mais branda de retratar o que se pode
pensar das opiniões de um jovem como eu. Meus pensamentos caem em descrédito,
pois ainda não cheguei aos trinta, mas também porque não tenho títulos
relevantes. Mas o que seria um título relevante? Seria a posição que ocupo em
nossa sociedade que me dá ou não o direito de ter voz e opinião ativa em
diversas situações.
Penso na rede social de maior sucesso no momento no país, o
Facebook. Nesta rede, podemos "curtir" ou não, os posts e comentários
dos demais usuários, este gesto é também uma forma de falar que as postagens do
individuo são mais ou menos relevantes/interessantes. O grande problema desta
questão é que existem inúmeras coisas interessantes na internet, fica difícil
selecionar o que seria mais. Só que coincidentemente o que certas pessoas
postam é sempre legal e recebe várias "curtidas". Vocês devem estar
pensado: "esse cara é super impopular e ta chorando aqui neste blog".
Talvez eu seja sim, não sou popular, nem nunca fui de fato, apesar de me
considerar uma pessoa bem sociável, nunca fui o centro das atenções em lugar
nenhum, embora todos tenhamos nossos momentos.
O que me incomoda é o fato de que algumas pessoas que ocupam
posições aparentemente importantes em seus respectivos ambientes cotidianos são
idolatradas como portadores da Verdade! São intelectuais, são engraçados, suas
piadas são muito inteligentes e tudo o que ele faz e diz é sofisticado. Isso é
uma grande mentira! E tudo bem que seja, mentimos o tempo todo mesmo, seja para
as pessoas a nossa volta ou para nós mesmos, mas a credibilidade que os demais
seres pensantes dão ao um determinado individuo devido a sua posição é
ridícula! Durante os anos em que cursei História, aprendi (e espero que meus
colegas de curso também) a questionar, tudo e todos, mas aos poucos uma exceção
à regra nos foi passada: não se pode questionar um professor. Por que não? Por
que leu mais que você? Mais velho? Porque ele possui um título e você não. Ele
ocupa uma posição hierárquica que você não alcançará nem tão cedo e sabendo
qual o seu lugar, baixe as orelhas e vá tomar no orifício anal!
Não curto quem curte alguém porque aparentemente ele é
"sabido". Como uma vez li no face: "Têm gênios com educação
básica e imbecis com doutorado".
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