Medo.
Devo dizer que, na minha opinião,
eis um dos maiores motivadores da raça humana. O medo é aquilo que sem duvida
está constatemente nos influenciando em nossas escolhas: o medo de perder o
emprego, de perder o ônibus, de perder a namorada, de desapontar pessoas, o
medo das pessoas, de si mesmo, de Deus.
Estamos constantemente correndo de
algo, ou de alguém, estamos numa constante fuga seja do mundo ou de nós mesmos,
de certo modo estamos nesse contexto geral. O que eu quero dizer é que nossas
escolhas estão enraizadas no medo de que algo ruim aconteça conosco, tememos as
conseqüências de nossos atos, não estamos preparados para aceitá-las na maioria
dos casos. Então, tendo dito isto, volto a reforçar o que acredito ser a força
motriz da humanidade: o egoísmo. Pensando apenas em si mesmo o ser humano tende
a querer o melhor para si, deste modo o medo contido em suas ações é uma forma
de auto-preservação, uma espécie de mecanismo, onde a sua principal função é
desejar sempre a segurança do individuo em questão. O nosso egoísmo é também o
causador desse medo, nosso desejo descomunal de querer o melhor para si nos faz
duvidar de nossa capacidade de alcançar esse objetivo, é o medo de se machucar,
um instinto primordial, selvagem, mas também racional, seria então um ponto
fraco em nossa racionalidade??
É engraçado perceber que enquanto
escrevo algumas questões surgem meio que indefinidamente. Mas voltando ao
assunto principal, percebemos então que o medo pode então ter como seu maior
motivador a racionalidade humana, o fato de pensarmos e raciocinarmos acerca
das inúmeras possibilidades de acontecimentos ou conseqüências em torno de nossas
escolhas nos faz chegar à possível chance de falharmos, o que dificilmente aconteceria
se agíssemos por instinto, nos lançando sem temor sobre nosso destino, como os
animais o fazem quando se lançam sobre suas presas tendo a certeza que
triunfarão, mudando de idéia apenas quando as condições são evidentemente
desvantajosas. Mas não somos animais, ou pelo menos não animais irracionais,
temos a capacidade de pesar as possibilidades e escolher a mais vantajosa para
nós.
Agora gostaria de falar de um tipo
de medo que é extremamente presente em nossa sociedade: o medo do desconhecido.
Temer aquilo que não conhecemos é esquisito, engraçado notar que a proporção
desse medo não diminui com o tempo, ela aumenta em proporção, mas sem duvida um
dos maiores medos que pode se enquadrar nessa categoria seria o medo da morte,
só que neste caso estamos diante de algo inadiável. Sendo assim corremos contra
o tempo para dar um significado relevante a nossas vidas o que muitas vezes
acaba esbarrando nas religiões, aquilo que tem a resposta para o que está por
vir é, na maioria dos casos uma fuga para os desesperados que buscam um refugio
neste mundo de incertezas, corremos em direção aos braços de um pais
controverso (no caso do cristianismo) que vai nos pegar pela mão e nos levar ao
paraíso, isto, é claro, se fizermos o que ele manda, pois caso contrario
estamos fadados ao sofrimento eterno no reino da dor e do martírio que é o
inferno. Somos recompensados se o seguirmos e punidos se discordarmos dele, o
que logo chaga ao ponto crucial do texto: o medo! O medo de ir para um lugar
ruim, nosso instinto de auto-preservação nos guia até os confins do pós-vida,
nossos medos ultrapassam a barreira do físico adentrando no mundo etéreo da
morte, onde nada conhecemos e por tanto, tememos. Boa parte das religiões vai
lidar com o desconhecido, com o que está por vir, elas nos dão o consolo de saber
que provavelmente não acaba aqui a nossa jornada, que ela vai muito mais além
desta vida miserável e em muitos momentos cruel, que provavelmente, por mais
que sejamos felizes neste mundo (o dos vivos) quando morrermos e se cumprimos
com o regulamento das respectivas crenças podemos almejar um mundo de
felicidades infinitas ou de um novo inicio, onde podemos aprender mais sobre
nós mesmos e buscar mais uma vez a felicidade. Mas não há esperança nisso se é
o que aparenta, vejo todo esse processo como uma extensão da fuga constante dos
nossos medos.
E por fim fica a pergunta: o que é
coragem?? O que nos faz ser alguém corajoso, é não ter medo ou a capacidade de
enfrentá-los? Seria uma ação irracional? Ou pura tolice? Todos têm medo, mas poucos
têm coragem.
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