sábado, 17 de março de 2012

Foi D... que me deu


   Pergunto-me até quando as pessoas vão continuar acreditando que são incapazes de conseguir o que desejam por seu próprio esforço? Se ela ainda vão continuar pensando que os fatores externos são o determinante para se alcançar suas metas? 
   Eu tive uma criação extremamente conservadora, fui educado por uma família cristã/católica e como tal, estava sempre nas missas dos domingos. Aprendi que devemos amar ao próximo como a nós mesmos, mas aprendi que se não estiver do meu lado está contra minha pessoa, ou seja, se não está na minha igreja, é um inimigo dela. Claro que esses não são os ensinamentos do novo testamento (não vamos falar do polêmico "Old"), mas são os ensinamentos da parte mais Hard da minha família, o que inclui o meu pai e toda a sua família. A intolerância com relação a outras religiões e vertentes do próprio cristianismo é uma constante em meio aos meus familiares, não tenho que concordar com isso e de fato não concordo, há algum tempo tenho uma opinião bem diferente da deles, isso é bom para minha pessoa, pois é libertador, mas têm conseqüências não muito positivas na hierarquia da família, deste modo, estou à margem dos meus parentes e sou inferior por isso, por não concordar com suas idéias e ao mesmo tempo ter que conviver com elas constantemente. A principio isso me incomodava, hoje não mais. 
   Mas o que eu quis dizer com todo esse papo particular é que eu entendo bem como agem as pessoas que não confiam em si mesmas. É incrível atribuir tudo de bom a uma entidade que talvez não exista (essa não é a minha opinião), esquecendo do incrível potencial humano que todos nós possuímos. Cara, somos incríveis, me refiro à raça humana, somos dotados de um potencial inimaginável, mas quase que constantemente estamos desperdiçando nossas energias em algo improdutivo ou sem sentido para nós mesmos, fugimos de quem nós somos e de quem podemos ser, atribuímos nossas vitórias ao vácuo e nossas derrotas ao próximo, sim, estamos sempre culpando alguém, provavelmente me culparão por falar isso! Mas eu não tenho culpa em meu ser, nem vocês deveriam ter, porque essa terra geóide é um mundo de possibilidades, ele é cruel muitas vezes, mas pode ser maravilhoso se souberem observar. Geralmente sou muito pessimista, mas não ao ponto de não reconhecer minha capacidade, mesmo que eu não a utilize, pois tenho que admitir que sou preguiçoso, imaturo e muitas vezes prepotente, se contar uma infinidade de defeitos que daria uma lista gigantesca, mas eu sei o que eu sou capaz de fazer e sei o que eu fiz e não me lembro de ter conseguido algo de graça, sempre ha um preço, auto ou baixo, estamos sempre pagando por nossas conquistas e por nossas derrotas também, sempre haverá esse preço.
   Mas ainda fico muito intrigado com os agradecimentos ao silêncio, os adesivos em carros que dizem: "foi Deus que me deu", até parece que não teve que trabalhar por aquilo e que a custo de muito esforço conseguiu algo que queria. Trabalhamos por isso, não saímos de casa para ajudar nossos patrões, estamos sempre a ajudar a nós mesmos, trabalhamos para sobreviver num mundo onde o dinheiro é fundamental, o sentimento, o carinho, amizade e amor são secundários na nossa sociedade, as empresas pouco estão ligando se você está com depressão e não esta trabalhando bem por causa disso, você é um número, que representa e influencia outros números, e se ha algo que esteja atrapalhando a produtividade da empresa e esses números passam a não bater, logo se chega à conclusão de que algo está errado e nunca é o chefe, mas sim o funcionário. As pessoas que não têm emprego estão ansiosas por ver alguém sair, alguém cair, são como lobos famintos, sedentos por sangue e isto não é algo incomum, só não estamos preparados para aceitar uma parte de nossa natureza que vai de encontro com o "amai uns aos outros". 
   As soluções não caem do céu. E citando um trecho do filme "Falcão - o campeão dos campeões": "O mundo não para de girar! Se você quer alguma coisas tem que pegar!"
   Não temos que nos destruir tentando ser nós mesmos, mas sinto falta de ver as pessoas reconhecendo suas vitórias como fruto de seus esforços, acho que só assim também vamos ter coragem para reconhecer que a razão de nossas derrotas também giram em tornos de nós mesmos.

Quando eu vejo nos carros aqueles adesivos "Foi Deus que me deu", sempre imagino essa cena. ^^
 





























quinta-feira, 8 de março de 2012

MORTE

 
   Estamos sempre procurando conhecer o mundo a nossa volta, ou pelo menos queremos entendê-lo, alguns buscam explicações simples, outros se vêem atraídos por explicações mais complexas, no fim todos querem conhecer e serem reconhecidos. Acho que estamos em busca de alguma afirmação que dê um sentido a essa vida insana e repleta de descontinuidades que vivemos. Quando encontramos uma resposta para nossas questões e que nos ajude a aceitar as mazelas que podem acontecer em nossas vidas, tudo parece mais fácil, mais aceitável, estamos preparados para o que der e vier, pois é como se tudo no fim fizesse parte de um plano, algo maior que nos liga, um emaranhado de linhas, de tramas que se tocam e fazendo tudo acontecer de forma interligada e mais ainda: justificada! 
   Todo esse blá-blá-blá, por mais lindo e filosófico que possa parecer não nos repara para o pior, mentimos para nós mesmo todos os dia achando que nossas respostas estão em um livro, uma meditação, um lugar, estamos sempre nos consolando, fugindo de nós mesmos e de todos, principalmente aqueles que podem nos machucar. Mas e quando a ferida aparece de um modo que não é causada por ninguém e que provavelmente jamais vai cicatrizar? E se a dor causada, a derrota em nossa vida está para além dos nossos dedos, ultrapassando a barreira do compreensível, do acessível, do palpável? A morte quando vêm é repentina fria e traiçoeira, é como uma mão gélida apertando nossos corações, um anjo da morte está sempre a nos rodear, ele nos cerca, esperando o momento certo para levar nossa vida, mas sem duvida a única dor sentida é a da perca de alguém que amamos. Porque, creio eu ser o momento em que de fato mergulhamos no mundo das incertezas: “para onde ela foi?” “por que tão cedo?” “por que deste modo?” “isso não deveria ter acontecido comigo?”
   Ontem, eu reencontrei uma amiga, não nos víamos há alguns meses, eu sabia que muita coisa desagradável havia acontecido com ela, pessoas importantes na sua vida haviam partido e jamais irão voltar. tentei me desculpar por algo meio que imperdoável para um amigo: o fato de não estar presente nesses momentos para apoiá-la e por não ter me pronunciado esse tempo todo. Só queria que ela soubesse que embora ela precisasse de alguém ao seu lado, eu não era capaz de confortá-la, eu não saberia o que dizer, até hoje não sei, não sei como lidar com esse tipo de perca. Mas com o inicio dessa conversa tudo o que havia passado veio à tona em sua mente e o que ocorreu em seguida foi um pranto tão triste que só de olhar lhe fazia ficar desarmado também. Então era isso que a morte causava e causa nas pessoas? Esse sentimento de impotência, de fragilidade? A sensação de que o seu mundo desmoronou e apenas você está lá em pé, no meio dos escombros procurando algo para salvar quando tudo está destruído. A morte nos leva tudo, não nos deixa nada além da dor e do vazio, posso apenas imaginar essa sensação, mas não tenho idéia do que nem sequer metade dela. 
   Espero que as pessoas leiam estas linhas com a certeza de que não estamos preparados para tudo, e que os nossos consolos, sejam físicos ou espirituais, são fugas que podem até nos ajudar, mas não vão aplacar a dor, porque eis o que o senhor do impossível não pode fazer, mostrando quão frágil ele também o é: ele jamais traz a pessoa amada do abismo do incerto que é morte, nem é capaz de nos fazer voltar de lá sem que nós queiramos.


terça-feira, 6 de março de 2012

MEDO


   Medo.
   Devo dizer que, na minha opinião, eis um dos maiores motivadores da raça humana. O medo é aquilo que sem duvida está constatemente nos influenciando em nossas escolhas: o medo de perder o emprego, de perder o ônibus, de perder a namorada, de desapontar pessoas, o medo das pessoas, de si mesmo, de Deus.
   Estamos constantemente correndo de algo, ou de alguém, estamos numa constante fuga seja do mundo ou de nós mesmos, de certo modo estamos nesse contexto geral. O que eu quero dizer é que nossas escolhas estão enraizadas no medo de que algo ruim aconteça conosco, tememos as conseqüências de nossos atos, não estamos preparados para aceitá-las na maioria dos casos. Então, tendo dito isto, volto a reforçar o que acredito ser a força motriz da humanidade: o egoísmo. Pensando apenas em si mesmo o ser humano tende a querer o melhor para si, deste modo o medo contido em suas ações é uma forma de auto-preservação, uma espécie de mecanismo, onde a sua principal função é desejar sempre a segurança do individuo em questão. O nosso egoísmo é também o causador desse medo, nosso desejo descomunal de querer o melhor para si nos faz duvidar de nossa capacidade de alcançar esse objetivo, é o medo de se machucar, um instinto primordial, selvagem, mas também racional, seria então um ponto fraco em nossa racionalidade??
   É engraçado perceber que enquanto escrevo algumas questões surgem meio que indefinidamente. Mas voltando ao assunto principal, percebemos então que o medo pode então ter como seu maior motivador a racionalidade humana, o fato de pensarmos e raciocinarmos acerca das inúmeras possibilidades de acontecimentos ou conseqüências em torno de nossas escolhas nos faz chegar à possível chance de falharmos, o que dificilmente aconteceria se agíssemos por instinto, nos lançando sem temor sobre nosso destino, como os animais o fazem quando se lançam sobre suas presas tendo a certeza que triunfarão, mudando de idéia apenas quando as condições são evidentemente desvantajosas. Mas não somos animais, ou pelo menos não animais irracionais, temos a capacidade de pesar as possibilidades e escolher a mais vantajosa para nós. 
   Agora gostaria de falar de um tipo de medo que é extremamente presente em nossa sociedade: o medo do desconhecido. Temer aquilo que não conhecemos é esquisito, engraçado notar que a proporção desse medo não diminui com o tempo, ela aumenta em proporção, mas sem duvida um dos maiores medos que pode se enquadrar nessa categoria seria o medo da morte, só que neste caso estamos diante de algo inadiável. Sendo assim corremos contra o tempo para dar um significado relevante a nossas vidas o que muitas vezes acaba esbarrando nas religiões, aquilo que tem a resposta para o que está por vir é, na maioria dos casos uma fuga para os desesperados que buscam um refugio neste mundo de incertezas, corremos em direção aos braços de um pais controverso (no caso do cristianismo) que vai nos pegar pela mão e nos levar ao paraíso, isto, é claro, se fizermos o que ele manda, pois caso contrario estamos fadados ao sofrimento eterno no reino da dor e do martírio que é o inferno. Somos recompensados se o seguirmos e punidos se discordarmos dele, o que logo chaga ao ponto crucial do texto: o medo! O medo de ir para um lugar ruim, nosso instinto de auto-preservação nos guia até os confins do pós-vida, nossos medos ultrapassam a barreira do físico adentrando no mundo etéreo da morte, onde nada conhecemos e por tanto, tememos. Boa parte das religiões vai lidar com o desconhecido, com o que está por vir, elas nos dão o consolo de saber que provavelmente não acaba aqui a nossa jornada, que ela vai muito mais além desta vida miserável e em muitos momentos cruel, que provavelmente, por mais que sejamos felizes neste mundo (o dos vivos) quando morrermos e se cumprimos com o regulamento das respectivas crenças podemos almejar um mundo de felicidades infinitas ou de um novo inicio, onde podemos aprender mais sobre nós mesmos e buscar mais uma vez a felicidade. Mas não há esperança nisso se é o que aparenta, vejo todo esse processo como uma extensão da fuga constante dos nossos medos. 
   E por fim fica a pergunta: o que é coragem?? O que nos faz ser alguém corajoso, é não ter medo ou a capacidade de enfrentá-los? Seria uma ação irracional? Ou pura tolice? Todos têm medo, mas poucos têm coragem.